segunda-feira, 14 de julho de 2014

Quando todos estão errados, mas só um lado gera comoção


(Israel, Palestina, Faixa de Gaza, Conflitos)

Imagine que você seja alguém muito rico e que more em um país X. Comprou uma linda casa em frente a praia e construiu uma grande fortaleza, afinal, sua família é bastante visada e ameaçada fora dali. Sua casa é linda e de causar inveja a muitos que passam por ali, só que tem um problema, você não pensou antes de construir o seu império em um lugar pouco policiado e rodeado por uma sociedade mais pobre e com muitos problemas sociais.

Com o entra e sai da sua casa, você acaba se tornando visado também pela população local, que começa a sentir raiva por você ter uma vida melhor do que a deles. Assim, você e sua família começam a ser ameaçados e alguém lhe envia um recado de que é melhor vocês saírem dali porque aquela terra os pertence e você está incomodando a população local. Primeiramente você informa aquilo às autoridades competentes, mas eles nada fazem, já que a localidade é distante e fora da jurisdição deles. Eles não podem simplesmente colocar ali uma patrulha pois faltam verbas ao Estado para gerir aquela localidade e por mais que você apele, eles não vão lhe ajudar. O problema é que, assim como a população local, você é alguém que se apegou muito ao local e não quer abandoná-lo, sente como se ali fosse parte de sua vida e tudo o que queria era viver em paz.

Para tanto, você, como tem muito dinheiro, resolve colocar cercas elétricas, câmeras de segurança e seguranças armados – a legislação deste país fictício permite isso. Como a jurisdição local é fraca e você também se acha dono do mundo, resolve expandir a área de sua casa também para a areia da praia e utiliza o argumento de que também deseja utilizar a praia mas não pode mais fazer isso diante de tantas ameaças, desta maneira amplia o seu território, violando a jurisdição local e o direito da população daquele lugar de utilizar melhor a praia.

Os órgãos jurídicos são acionados e entram com ações contra você e sua família, mas o seu poder e riqueza os impede de fazer alguma coisa. Você alega que sua família só quer viver em paz e que a ampliação de território nada mais é do que o que vocês podem fazer para viver melhor. Chegando a este ponto, a população local começa a querer invadir a casa das mais diversas maneiras, até mesmo escavando túneis para uma invasão por baixo da casa. Tudo isso leva a você investir mais ainda o seu dinheiro em segurança e passa agora a armar os seus seguranças com armas letais e fuzis de longo alcance.

(Perceba que tudo isso não é nada mais do que uma disputa de egos, você por não querer sair dali, pois se acha poderoso e cheio da grana, e a população local por não aceitarem que a sua situação de vida é melhor do que a deles e que você tem o direito, por lei, de ter aquela casa)

A briga se torna mais intensa, e o que era local passa a se tornar objeto de discussão nacional, depois que uma das pessoas que tentava invadir a sua casa morre com um tiro na cabeça, por um tiro disparado de um dos seus seguranças. E na movimentação, um dos seguranças atinge outro dos invasores na perna e uma bala perdida acerta uma criança que estava passando pelo local no momento, que morre logo em seguida.
(...)

Poderia continuar esta história mas vou parar por aqui. Por mais que os elementos jurídicos, locais e políticos possam variar, trouxe esta história para poder trazer à tona a questão do que vem acontecendo na Faixa de Gaza neste momento entre Israel e a população daquele local.

As violações de Direitos Humanos por parte de Israel são inúmeras, desde os assentamentos ilegais em território palestino até a morte de crianças inocentes. A questão a qual me trouxe esta reflexão é, por qual motivo decisões pacíficas não são tomadas? O mundo inteiro está contra Israel neste momento, mas até que ponto as decisões de Israel são meras defesas do próprio direito e ataque aos de terceiros?

Esta minha interpretação parte do ponto de vista de que os únicos inocentes da situação são os cidadãos da Faixa de Gaza e de Israel, mas que somente os da Faixa de Gaza geram comoção por causa das mortes de inocentes. Acontece que, assim como o exemplo que dei acima, Israel poderia ficar somente dentro de sua “própria casa” esperando ser atacado, ou partir pra cima daqueles a quem eles tem como inimigos. A diferença de poder gritante, porém, não é necessária para se defender ou ganhar uma guerra, vide ai a derrota da Alemanha na 2ª Guerra Mundial, dos EUA no Vietnam na Guerra Fria e da Rússia na guerra entre eles e os japoneses.

Israel recebe ataques todos os dias de mísseis lançados pelo Hamas, mas não sofrem nenhum tipo de baixa ou destruição graças a seu escudo antimísseis chamado “Cúpula de Ferro”, desenvolvido pela indústria de armas israelense e que necessita de enviar 2 projéteis de $50.000,00 cada, para cada míssil enviado contra Israel. Neste ponto, quem sai ganhando é a indústria de armas israelense que precisa trabalhar a todo o vapor para desenvolver defesas ainda mais eficientes e, agora, ataques ainda mais precisos.

Acontece que, a região que está sendo atacada, nada mais é do que uma das regiões mais povoadas do planeta em termos de metro quadrado. Isso significa que, mesmo que ela esteja rodeada de pessoas inocentes e grupos interessados em atacar Israel, a possibilidade de um contragolpe de Israel atingir civis inocentes é quase que total. Isto acarreta a Israel uma tarefa de desenvolver uma grande defesa, mas que, tendo em vista o Direito Internacional e Direitos Humanos, também a “obrigação” de não retaliar, considerando que isso ameaçaria a vida de pessoas inocentes. Quando, porém, é o limite entre receber tapas e não retribuir em uma lei que ainda considera o “olho por olho e dente por dente”?

Israel vive pressionado entre o Direito do não dever e o Direito de se defender e retaliar contra um inimigo que é representado por pequenos grupos que atuam contra aquele Estado. E então, o que fazer no lugar de Israel? Atacar ou não atacar? Eis a questão.

Levando-se em conta que Israel possui um governo radical e que quer defender suas posses de qualquer maneira, garantindo a segurança e o bem estar de “sua família” e que o adversário não possui uma centralidade, é dividido e integrado por grupos que não aceitam, de maneira pacífica, a sua estadia naquele local, como então resolver esta questão?

Para muitos é simples, afinal, devolve “a praia conquistada” ao espaço a que era destinada, se resolve com a população local, desenvolve uma vida para eles ali e, pronto, estará tudo resolvido. Por que então isso não aconteceu agora?

Tenho meus palpites, que vão além da simples economia e política. A disputa territorial naquela região ultrapassa as barreiras físicas e embarca na questão ideológica. Palestinos e judeus são presos a questão territorial e ambos desejam quase a mesma parcela local. A menos que eles encontrassem uma maneira de conviverem pacificamente (o que seria muito difícil nos moldes atuais), somente ceder território aos palestinos não resolveria a questão da palestina, tendo em vista que este conflito, como minha concepção interpreta, é muito maior do que meramente político, econômico ou físico.

O poder econômico e político, que não é bobo nem nada, sabe muito bem disso e se aproveita para jogar palestinos e judeus uns contra os outros. É possível encontrar nas histórias da Torah ou do Alcorão passagens que irão dividir aqueles povos; e usar isso contra eles é, justamente, o que atende aos interesses de grupos como o Hamas e os políticos radicais de Israel. Nesta história não existem santos, sejam eles israelenses ou palestinos, todos são culpados pelo o que acontece na região; e se trata muito mais de uma questão de ego e falta de humildade do que política e econômica, afinal, ninguém quer ceder nada para o outro e a convivência pacífica em um mesmo território está fora de cogitação por ambos.

A história nos demonstra que árabes e judeus já viveram muitas vezes pacificamente, porém o que acontece hoje nada mais é do que utilizar a própria crença religiosa deles contra eles mesmos e não a história. Enquanto as mídias tomam seus partidos, do lado dos palestinos ou judeus, pessoas inocentes morrem na Faixa de Gaza e somente Israel é o culpado, sem se lembrarem que, não fosse a defesa aérea e territorial israelense, eles já teriam sido riscados do mapa por parte da “população local” (grupos que não desejam a existência Israel). Israel se defende de um inimigo perigoso pois luta não contra um Estado em específico, mas contra grupos locais. E os palestinos lutam com um grupo mais perigoso ainda pois não possuem defesa e não lutam contra um grupo, mas contra um Estado.

Neste ponto, acaba que toda a responsabilidade recai sobre Israel tendo em vista o seu poder, influência e riqueza. Porém, o quanto é dito sobre os palestinos que não desejam acordo pacífico com Israel? E as centenas de mísseis que são lançados contra Israel? Pode a arrogância nacionalista israelense ser culpada pela morte de todos estes inocentes ou o conflito é muito mais abrangente que isto?

Pessoas inocentes não devem morrer em lugar nenhum, nem mesmo as não inocentes. Pessoas não devem morrer, esta é a questão, não importa se sejam elas judias, negras, brancas ou palestinas. Se algum cidadão judeu morresse por um míssil lançado da Faixa de Gaza, ele não seria um culpado morto em conflito, mas seria mais um inocente, mais uma pessoa morte. A questão da culpa de Israel porém é tomada, unicamente, porque estes se defendem contra um inimigo que não é um Estado e, mais que isso, que não representa um todo da sociedade palestina. Mas e então, o que fazer contra um inimigo que se mistura à população entre crianças, mulheres e jovens? Como identificar um inimigo que possui a mesma fisionomia e mora no mesmo local dos inocentes? Infelizmente, não há como.

As escolhas, embora arrogantes – do outro lado também – são poucas. De um ponto de vista somente de Defesa, o Estado israelense poderia somente manter-se defendendo eternamente ou atacar o inimigo para desmantelar as suas forças.

Ainda assim, seja o ataque por parte de Israel ou dos grupos rebeldes palestinos, nenhum deles age de uma maneira sensata a resolução do conflito. Como disse acima, estes dois grupos – o governo israelense e os grupos rebeldes palestinos – aproveitam-se da revolta do povo e da fragilidade da região para ampliarem seus poderes e aumentarem o conflito no local, usando as crenças ideológicas e religiosas para jogar uns contra os outros e trazerem mais pessoas à causa – mas só Israel sai como culpado. E assim, entram-se anos e passam-se anos e a região continua sendo uma das mais conflituosas do mundo. Em Israel a população acorda com sirenes e correndo para abrigos antibombas enquanto que na Faixa de Gaza elas acordam, literalmente, com explosões de bombas na sua própria casa.

Tudo isto, nada mais é do que um reflexo do próprio egoísmo humano, seja ele por parte dos israelenses, que não aceitam negociar com grupos como o Hamas e não cedem às exigências palestinas, e dos próprios palestinos, principalmente os mais radicais, que não aceitam a presença de Israel na região e apelam para o uso da força, o que fortalece ainda mais os israelense e distancia ainda mais uma resolução pacífica para a região.

Observando de uma forma puramente idealista, o conflito naquela região jamais se resolverá cedendo ou não cedendo território, os cidadãos locais precisariam reconhecer que eles têm que conviver em harmonia uns com os outros – sim, é idealista. De uma análise mais prática, a comunidade internacional teria que ser mais enérgica contra Israel e, também, contra os palestinos. Devolver os territórios tomados por Israel, criar o Estado da Palestina, criar um acordo internacional de não agressão entre eles, tornar Jerusalém uma capital comum entre Israel e a Palestina, fazer com que a Palestina criasse leis duras contra grupos radicais e terroristas e, por fim, ajudar no desenvolvimento daquele país.

O problema todo é que, ao contrário da estória que inventei acima, o Direito Internacional não possui uma entidade máxima que faça valer a sua força e sua intenção. Por mais que todos os Estados do mundo acordem sobre os problemas na região – o que é quase impossível –, para que o Direito Internacional possa valer, é necessário que exista o Estado da Palestina e que Israel aceite a interferência externa em seus assuntos pessoais.

Este é um problema complexo e que não pretendo resolvê-lo com esta postagem, mas que, justamente, gostaria de apresentar uma ideia de que, tanto Israel quanto os grupos rebeldes são culpados e não somente os israelenses como se apregoa pela mídia. 

domingo, 4 de maio de 2014

Você é racista?


Antes de mais nada, escrevo este texto ouvindo a música de "Gabriel O Pensador - Racismo é burrice", ouça também e faça suas próprias críticas.

Esta semana aconteceu algo comigo que me abalou muito. Sempre soube da minha personalidade forte e os meus debates calorosos, mas jamais havia perdido uma amizade em uma discussão até então com uma pessoa que eu admirava e respeitava. Isso mexeu com a minha estrutura e eu estou definitivamente decidido a controlar essa parte da minha personalidade depois disso. Mas afinal, como tudo isso começou?

Tudo começou por causa dessa maldita banana. Sim, eu defendi a banana e o somos todos macacos, mas não, isso não significa que eu esteja certo, muito menos que minha percepção seja absoluta e que eu não mude de opinião. Mas acredito que um mínimo de sensibilidade ao ser humano, para saber como se fala com o outro é essencial para a construção de bons relacionamentos.

Então, partindo desta banana, resolvo fazer a seguinte pergunta para você responder para si mesmo, você é racista? Afinal, o que é o racismo?

De acordo com os seguintes dicionários, trata-se de:


  • Minidicionário Luft: "1.Doutrina dos que pregam a superioridade de certas raças humanas. 2. Ação ou qualidade de indivíduo partidário dessa doutrina"
  •  Priberam online: "1. Teoria que defende a superioridade de um grupo sobre outros, baseada num conceito de raça, preconizando, particularmente, a separação destes dentro de um país (segregação racial) ou mesmo visando o extermínio de uma minoria. 2. Atitude hostil ou discriminatória em relação a um grupo de pessoas com características diferentes, notadamente etnia, religião, cultura, etc"
  • Michaelis online: "1 Teoria que afirma a superioridade de certas raças humanas sobre as demais. 2 Caracteres físicos, morais e intelectuais que distinguem determinada raça. 3 Ação ou qualidade de indivíduo racista. 4 Apego à raça."
Para quem não se lembra dos horrores da Segunda Guerra Mundial, o que Hitler cometeu com os judeus, maçons, ciganos, negros e "não-arianos" (de acordo com os termos do nazismo), foi a maior prática de racismo dos tempos modernos. Ali morreram não somente judeus, mas muitos outros povos e raças que possuíam suas culturas e particularidades das quais Hitler e sua ideologia abominavam. Em qualquer um dos três dicionários acima você pode ver a definição de racismo aplicado às práticas de Hitler.

Acontece que, na sociedade brasileira, por séculos, os negros foram subjugados a vontade dos brancos e, por isto, criou-se uma comunidade negra muito mais pobre e com menos direitos. É fácil entrar em uma universidade e ver as salas de aula lotadas de branquinhos como eu. Ainda assim, vou contar um pouco mais do que aconteceu comigo e qual foi a minha atitude.

Na discussão, eu fui chamado de racista (contra os negros). Não vou ficar aqui falando sobre ela pois não há um espaço para a pessoa que discutiu comigo se defender, portanto, não é justo. Mas isto já vai servir para a construção do que quero continuar desenvolvendo aqui...

Como eu havia falado acima, não só a atitude de ter me chamado de racista me incomodou, mas a forma como ele se expressou ao falar comigo, simplesmente me senti um racista...
Pensando nisso, nada melhor do que conversar com uma terceira pessoa que não estivesse envolvida com a história...

Ao chegar no local em que trabalho, a minha frente sentou uma pessoa negra. Nervoso por ter sido chamado de racista e ansioso ao perguntar a opinião daquela pessoa, não exitei um minuto ao falar...
- Desculpa, mas eu preciso de sua opinião em algo muito importante para mim...

Expliquei para ele a história, o que eu tinha falado para ter sido chamado de racista e o que ele achava daquilo, até que ele começou a me contar a sua história pessoal:
"Nasci em um lugar pobre, mas muito pobre mesmo, a única coisa que não faltavam eram escolas públicas, haviam 10 na região. Independentemente de como o ensino era, posso dizer que oportunidade de estudar eu tive. Meu pai se separou da minha mãe quando eu tinha uns 8 anos de idade. Podia faltar o que fosse dentro de casa, mas minha mãe nunca deixava de faltar um caderno, um livro e um lápis para mim e meu irmão. Hoje, X anos depois disso tudo, estou aqui trabalhando com você mas sou formado em Direito pela Universidade Y, já trabalhei em várias multinacionais, viajei para a Europa, conheci o mundo, etc. Já meu irmão, sabe qual foi a escolha dele? Não ter nem o Ensino Fundamental Completo."

Ao ouvir esta história, confesso que não esperava por uma riqueza de detalhes tão grande. Ali percebi uma história que, de fato, não esperava ouvir. A pessoa me relatou as suas viagens a Europa e, diante deste caso que ocorreu com o Daniel Alves, embora afirmasse que lá realmente este tipo de ideologia seja mais intensa, disse que se sentiu menos discriminado lá do que aqui. O que ele me afirmava é que não sabia se as pessoas o respeitava por ser negro ou ser brasileiro, se o respeitava pela nacionalidade ou por quem era, mas que de fato o respeitava.

Com isso, aproveitei o embalo da conversa e perguntei sobre temas mais polêmicos, tais como cotas - E ai, o que você acha disso. Perguntei.

"Posso afirmar que realmente a minha escola teve defasagem em relação a uma particular. Por exemplo, enquanto em uma particular as aulas de química ocorriam normalmente, eu não tive. Além disso, tivemos várias greves, o que atrapalhava bastante no rendimento da aula. Tudo isso nos atrapalhava no vestibular. Poderíamos até disputar, por exemplo, em Português e Matemática, mas em outras matérias, estávamos muito defasados. Porém, antes de tudo, sou contra cotas para negros. Na minha sala de aula haviam brancos que também eram pobres, estavam ali sem opção. Também foram prejudicados no vestibular por terem estudado naquele tipo de Colégio. Qual o motivo então de eu ter este tipo de vantagem e ele não? Intelectualmente somos semelhantes, não há nada que nos diferencie quanto a isto. Por isso, então acredito que a cota deveria ser para quem estudou em Colégios Públicos por X tempos e não somente para negros."

E esta foi a opinião dele, que também seria a minha, com a única diferença que eu sou branco (ou melhor, mestiço) e isto seria encarado como uma discriminação racial.

Como podemos ver na letra da música de Gabriel O Pensador:
"Não seja um imbecil  
Não seja um ignorante 
Não se importe com a origem ou a cor do seu semelhante 
O que que importa se ele é nordestino e você não? 
O quê que importa se ele é preto e você é branco? 
Aliás, branco no Brasil é difícil 
Porque no Brasil somos todos mestiços (...)
Tinha índio, branco, amarelo, preto 
Nascemos da mistura, então por que o preconceito?"
 A ideia que levou a toda esta discussão, que me levou a perder uma amizade e a realizar esta série de perguntas ao meu colega de trabalho, foi que, simplesmente, eu percebo o branco, índio ou negro como sendo iguais e não diferentes. Este tipo de pensamento me leva a crer que, seja você negro ou seja você branco, será a sua individualidade que definirá os caminhos que irá tomar. Ainda assim, nada disso nega os fatores sociais, as dificuldades do dia a dia e tudo que irá ter que enfrentar para se superar, muito menos que terá que parar de lutar pelos seus direitos, porém, ainda assim, a sua dificuldade ou fragilidade não pode ser tratada como uma desculpa para não alcançar os seus objetivos e metas, e foi isto que esta história pôde me mostrar.

Meu colega de trabalho me demonstrou, através de sua própria vida, que duas pessoas criadas no mesmo lugar atingiram destinos completamente diferentes. Um formado em Direito e o outro nem ao menos havia terminado o Ensino Fundamental (ou Médio, ele ficou na dúvida). Ele disse que isto não tornava o irmão dele uma pessoa que não sabia falar, ou que falava errado, mas que nas escolhas para a vida deles, não foi uma série de facilidades que decidiu isto, mas a sua própria luta pessoa. Ou seja, a culpa pode ter sido do sistema, mas a responsabilidade foi de cada um.

Eu fui criado em uma rua com pessoas negras, das quais muitas delas eu passo hoje e me reconhecem, me abraçam, falam comigo, riem e me cumprimentam, mas também na qual, alguns dos meninos que moravam na mesma localidade que eu, me discriminavam por ser branco. Na verdade, isto nunca foi um impedimento para que eu pudesse sair às ruas e brincar, muito menos causo-me algum tipo de trauma do qual eu sentisse raiva de um negro, muito pelo contrário. Mas me lembro muito bem das piadas e músicas que inventavam para mim ou mesmo das vezes que já apanhei por isto, MAS QUE FORAM CASOS ISOLADOS e não me impediam de brincar e ter grandes amigos negros. Porém, lembro-me também, do quanto eu era ameaçado quando morava em outro bairro no qual, ao comprar pão para a minha mãe, falava para ela o quanto os outros garotos me olhavam atravessado e eu não gostava de passar por lá por me sentir diferente.

Desde então, nunca tive problemas com pessoas negras, pelo contrário. Muitos dos meus grandes amigos ou são negros ou tem traços com negros. Nunca tive nenhum tipo de repulsa ou apoiei qualquer violência, seja ela verbal ou física, contra qualquer tipo de pessoa por causa de sua cor. Posso sim ter discriminado uma pessoa por outros motivos, mas não este. 

Perceba isto, a discriminação contra negros no Brasil é uma realidade latente muito maior do que a realidade isolada e minúscula que vivi. Em nenhum momento estou fazendo aqui um estímulo de preconceito contra nenhum tipo de raça, cor, credo ou religião, mas é inegável que, por exemplo, esses brancos e pobres que estejam cursando um colégio público estariam também tendo os seus direitos privados caso a cota fosse somente para negros (há cotas para os Colégios Públicos e pobres atualmente). É só imaginar um caso hipotético de uma mãe que tenha tido um filho negro e outro branco. A mesma criação, o mesmo ambiente, porém oportunidades de escolhas diferentes.

Conforme demonstrado pelo "Ministério da Justiça", a situação dos presídios é a seguinte:




Como podem ver no gráfico, a situação dos negros é a mais grave. Agora eu lhe pergunto, será mesmo que somente uma política de cotas resolverá esta situação? Como estão sendo tratados os presidiários? Como será que as políticas de segurança pública é educada? Como estão ensinando as crianças nas escolas? Qual é o estímulo para o estudante hoje ir estudar? Qual é o diferencial entre a rua e a sala de aula? Qual é o valor do professor dentro de classe? Vamos mudar tudo isto somente com medidas paliativas?

A minha opinião é a seguinte: enquanto continuarem tratando o negro como negro e o branco como branco, não haverá uma coisa só chamada povo, integridade ou humanidade. Alguns chamam isso de utopia, ao meu ver se chama Justiça. Passamos séculos tratando os negros como indigentes, os índios como selvagens, os "brancos" como intelectuais e desenvolvidos (visão eurocêntrica) e o que ganhamos com isso? Quando foi que passamos a criar medidas eficientes para se incutir a mentalidade de que uma criança negra não tem diferença nenhuma, a não ser na cor, perante uma criança branca ou parda? Ou que uma criança palestina não tem nenhum diferença perante uma judaica?


A humanidade cria rótulos, dentre os quais incluem-se os negros, os brancos, os pardos, os mulatos, os africanos, os brasileiros, os europeus, (...) , quando, na verdade, somos todos evoluídos de um ancestral em comum ao macaco (ou seja, #NÃOsomostodosmacacos, #somotodosancestralemcomumaomacaco), possuímos todos os mesmos órgãos, o mesmo cérebro, moramos na mesma Terra, compartilhamos os mesmos recursos e dependemos de todos ao nosso redor.

Por mais distante e utópico que possa parecer meu pensamento, acredito, fundamentalmente que, enquanto não tratarmos todos os seres humanos dotados da mesma capacidade, responsabilidade e DANDO A TODOS a mesma oportunidade inicial, sem discriminação de raça, cor, credo ou religião, então nunca seremos livres de que hoje o racismo seja contra o negro, amanhã contra o nordestino, depois de amanhã contra o homossexual, depois de depois de amanhã contra o branco e em seguida contra tudo e todos, pois sempre estaremos achando contra quem depositar a nossa culpa, sem trazer para nós a responsabilidade de mudança de tudo o que há por ai.

"Então que morra o preconceito e viva a união racial"





segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Nota sobre a Síria

Não, eu não sou contra uma intervenção militar na Síria, eu sou contra uma intervenção OCIDENTE na Síria. Ainda assim, o caso do uso de armas químicas não pode ser tão relevante quanto a morte de milhares de civis ao longo de todo o conflito. Quanto ao próprio uso das armas químicas, deveriam ser, fidedignamente, comprovados o envolvimento das tropas de Assad. E por que não os rebeldes?

Se há alguém que tenha que estar incomodado com o que acontece lá é a Liga Árabe e os seus componentes. Se eles não tomam uma atitude física contundente contra o território sírio é porque eles próprios não reconhecem, de fato, que há provas contra Assad.

Assad não é nem nunca foi nenhum santinho, assim como Sadam Hussein, mas uma intervenção militar de uma potência externa da região pode trazer males catastróficos não só para a população local como também para as relações externas entre países da região. Dez anos depois da invasão ao Iraque a população ainda se pergunta por que tem que conviver com tropas americanas naquele território, eles simplesmente perderam toda a administração local, de acordo com a Resolução obtida no Conselho de Segurança da ONU, para um país externo. Alguns teóricos chegam a afirmar, categoricamente, que se trata de um novo caso de colonialismo, tendo em vista que a administração local de empresas de petróleo e empreiteiras tornaram-se muito mais ocidente do revertidas em riqueza para a população local.

Encontramo-nos em um momento de graves problemas econômicos mundiais, revoltas acontecem até mesmo em territórios "desenvolvidos" europeus. Uma guerra movimenta a economia não para quem está na base, mas para quem está no topo da pirâmide financeira. Bancos lucram através de seus empréstimos gerando crédito para que a máquina militar possa ser alimentada, as empresas de petróleo também aumentam suas riquezas pois todos os veículos militares dependem de algum combustível derivado dele, as empreiteiras lucram por aumentarem as construções civis e os governos aumentam sua influencia de poder conquistando a atenção internacional e o poder em uma determinada região.

Não se iluda com essa história da Síria, não há santinhos ali. A Rússia tem interesse pois possui naquele território um setor estratégico de saída para mares quentes, assim como veem uma potencial ameaça territorial com o aumento da influencia americana no território. A China também reconhece a ameaça e se junta ao Irã, que já não é simpático ao governo ocidental. Israel terá um aliado importante próximo de si e o mundo Árabe, mais uma vez, entrará em um possível caos com o aumento dos números de atentados terroristas pois eles não aceitaram ninguém intervindo na região.

O jogo internacional é baseado no interesse, a partir do momento que se apoia um lado A ou lado B, escolhe-se o seu amigo e o seu inimigo. Não se iluda com essa de interesse humanitário na região pois, de fato, não há.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

O dia em que conheci meu herói

Quando falamos de heróis logo nos remetemos a personagens comuns como os de histórias em quadrinhos, alguém que fez algo por nós, pai e mãe ou até mesmo aquele cara que salvou alguém em uma piscina se afogando. Na verdade, existem muitos tipos de heróis.

Meus pais são heróis pelo tanto que lutam na vida e me ajudam a me erguer, o personagem Jack Bauer pelas tantas vezes que se sacrificou por seu país, o vilão Mercúrio, de X-men, por ser o cara mais veloz do mundo ou Jean Gray pela capacidade de mover tudo com o poder da mente. Cada um, desses heróis da vida real ou de histórias em quadrinhos me fazem refletir como seria se eu tivesse o poder deles ou a capacidade que eles tem, mas foi um que mais mexeu comigo, uma pessoa que eu conheceria 8 anos após estar morta e que me faria refletir mais sobre a vida e o que eu posso de fato fazer para ser, também, um herói.

No ano de 2011, eu e alguns amigos estávamos na Bienal do Livro no Rio Centro andando de um lado para o outro olhando os livros. Naquele dia eu sairia de lá com uma sacola cheia de livros mas quase todos dados por alguma editora, somente um comprado. Foi então que eu entrei em uma Stand e fui dar uma olhada nas promoções e lá estava ele me esperando. Com 50% de desconto (que maravilha!), o livro que iria revelar o cara que não estaria mais em histórias em quadrinhos ou filmes e que eu poderia de fato me espelhar para um mundo melhor. A capa já dizia “O homem que queria salvar o mundo” e eu logo me interessei. Quando olhei os comentários atrás, somado a oferta e ao estilo de vida do cara eu falei “é esse”; e de fato foi.

Sendo sincero, eu abandonei o livro na metade (já voltei a lê-lo), mas não porque era chato mas porque entre provas, enrolações e mudanças na minha vida acabei deixando ele de lado – assim como muitos outros –, sem nunca esquecer quem foi Sérgio Vieira de Mello. Logo nas primeiras páginas eu morri de raiva, o cara que eu já estava admirando antes de conhecer havia morrido em um ataque terrorista em uma embaixada em Bagdá. Mas até sua morte foi admirável, contam alguns sobreviventes que ele fora uma das primeiras pessoas a serem atendidas mas que logo recusou e pediu aos médicos para que atendesse as demais pessoas – típico de um herói. Por mais que seja um relato daqueles que faz livros e artigos serem lidos, não é de se duvidar que seja verdade. Sérgio era um cara de nome simples, humilde e sincero. Dizem seus amigos que “Sérgio conseguia penetrar em todos os mundos possíveis. Com Kabila (ex-presidente do Zaire/Congo), era um homem de uma ex-colônia pobre do mundo em desenvolvimento. E com os diplomatas europeus, era o dignitário educado na Sorbonne”.

Em alguns episódios que recordo do livro, ele foi capaz de se infiltrar em uma das piores organizações genocidas do mundo, o Khmer Vermelho, um antigo partido comunista do Camboja conhecido também como Kampuchea e conversar com o seu líder a respeito dos refugiados. Estratégias eram traçadas de maneira que quem não tivesse nada a ver com a história de disputa pudesse, no mínimo, sobreviver. Sérgio lutou contra a ditadura no Brasil e antes dela já almejou ser da Marinha, inclusive dizia que se fosse chegaria a almirante, talvez pela sua forma de fazer política. Não seguiu carreira no Itamaraty pois seu pai, um também diplomata, havia sido aposentado forçadamente por não concordar com as políticas dos militares. Por isso ele saiu da UFRJ e foi para França estudar em Sorbonne.

Lá ele fez Filosofia, construiu teses complicadíssimas e cresceu sua carreira no ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados). Assumiu muitos postos de comando mas sua carreira, basicamente, cresceu devido as suas posições em tomar atitudes arriscadas em momentos de delicadeza. Ele errou algumas vezes, acertou muitas outras, sofria duras críticas e não foi um pai/marido muito perfeito. Profissionalmente todos gostavam de estar ao seu lado, mas ele passou por muito altos e baixos, sofrendo, algumas vezes, até  pequenos casos de depressão.

Sérgio não se tornou um herói para mim por causa de sua vitória na vida, mas pelo exemplo que ele passava para os outros. Em meio ao caos ele era a serenidade, em meio a diversidade ele era a certeza e em meio a tantas opções ele era a escolha. Mesmo estando sempre em meio a problemas, através de sua imagem ele passava um ar de calma para as pessoas. E quando tinha uma opinião? Discutia inclusive com grandes amigos para defendê-las, não dava o braço a torcer.


Ele me ensinou até mesmo a ter mais fé, mesmo sendo ateu. De acordo com a autora, ele não tinha religião e ela chegou até mesmo a intitulá-lo como ateu, mesmo assim ele nunca deixou de respeitar a fé de alguém ou de não acreditar na humanidade. Ele estava nos piores lugares do mundo, vendo mulheres estupradas, homicídios por disputas políticas e pessoas morrendo por fome, ainda assim se utilizava até mesmo de pequenas atitudes para poder ajudar o próximo, mesmo não tendo uma religião ou uma crença religiosa imbuída.

Além de tudo isso, ele lembra meu pai quando mais novo fisicamente..rs

Esse é o cara que passei a admirar e ontem fez 10 anos de memória a sua partida. Em 2003 ele morreu em um atentado terrorista mas a sua memória não foi apagada. Seus amigos fazem qualquer um se emocionar com as suas mensagens e exemplos de perseverança. Ele não era um cara perfeito, era cheio de defeitos como eu e você, mas, no fundo, ele sabia de algo que, muitas vezes, eu e você não acreditamos – a humanidade ainda tem jeito.


segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Cara ou Coroa?

Este artigo foi escrito por mim em março de 2013, assim como o próximo, ainda assim são válidos para este momento ou qualquer outro.

Ultimamente, com a intensificação dos protestos contra o pastor/presidente da Comissão de Direitos Humanos Marco Feliciano e umas discussões que tive no facebook a respeito de Ciência, venho passando a perceber um aspecto do mundo que vem me incomodando.

Provavelmente você já ouviu aquela frase “ame o próximo como a ti mesmo”, não já? Pois então, se não ouviu, saiba que, quase a totalidade das religiões presentes no mundo possuem esta frase de uma maneira similar. Porém quando estudamos Ciência Política, começa-se a entender que o que rege o mundo na verdade, não são as visões religiosas dele, mas as visões políticas.

A nossa sociedade é coberta por opiniões do tipo “respeitar ao próximo”, “respeitar os Direitos Humanos”, “não emitir opiniões vulgares sobre alguém”, etc, porém sabemos que nem tudo é como se deseja ser.

Cresce no mundo, cada vez mais, uma falsa sensação de liberdade. Podemos emitir opiniões, “falar o quanto queremos sobre o que quisermos”, mas se em algum momento emitirmos uma opinião que vá contra o senso comum da sociedade ou o que se tem, falsamente, chamado de liberdade, então somos taxados como idiotas, imbecis, desprovidos de inteligência, de direita, sem cultura ou o que mais desejar acrescentar a este vasto vocabulário.

Mas você deve estar se perguntando: “Tudo bem, mas por que você está falando isso?”

Porque é o seguinte, estão tirando o Direito das pessoas emitirem opiniões contrárias ao que a maioria da sociedade diz ou acredita, e isto é uma forma de manipulação. Mais radicalmente se dizendo, pode-se cogitar que é uma ditadura de opinião. Vejamos o porquê de eu achar isso e por que acho que ter opinião é diferente de respeito.

No Estado Nazista de Hitler ou na União Soviética, se você tivesse uma opinião contrária ao senso comum do Estado, ou você era morto, recluso ou preso. Em um Estado democrático, o mínimo que deveria existir era o Direito de emitir a sua opinião, seja ela qual fosse: defender os homossexuais ou não, acreditar em Deus ou não, seguir o método tradicional científico ou não, e assim sucessivamente.

Na sociedade pós-moderna vivemos um momento que eu chamaria de desequilíbrio de opinião, como assim? Simplesmente as opiniões são equilibradas pelas suas oposições, e aquele que vence essa disputa de poder ou se torna mais dominante terá mais privilégios em emitir mais as suas ideias do que o lado oposto.


Imagine por um momento uma balança de pratos. De um lado temos cientistas que acham que qualquer pesquisa que saia do campo tradicional do método científico é inválida. Do outro lado, temos aqueles que, ousando ir contra o mar de opiniões contrárias, seguem um outro viés de pesquisa, ou até mesmo seguem o método científico porém tentando descobrir questões fora da Ciência tradicional, e são minoria

Com a balança na qual citei, o lado científico tradicional vence e qualquer tentativa de se mudar essa tradicionalidade perde. Assim podemos também trazer isto para o campo político, social ou qualquer outro.

A democracia, diz-se ela, diferencia-se dos outros regimes pela liberdade de opinião de uma pessoa. Se ela, por sua crença pessoal ou não, acredita que o mundo não é esférico – deformado, oval, que seja –, só tem uma maneira de mudar a opinião dela, que é através da Educação, sem mais. Se você simplesmente chega e cria uma lei dizendo: “qualquer pessoa que pregue que o mundo não é redondo está passível de prisão e sua pena poderá pegar de 2 a 3 anos de cadeia ou serviços comunitários.”, cria-se somente mais ódio, raiva e rancor contra a opinião: “o mundo é esférico” pelo simples fato da pessoa que não acredita pensar: “Por que não posso acreditar o contrário? Quem são eles para me privarem de minha crença?”

Cristãos morreram queimados e arrastados no Império Romano, Judeus – eles são um povo, não uma religião – foram assassinados na 2ª Guerra Mundial, Muçulmanos e Islâmicos foram assassinados por cristãos na Idade Média, homossexuais morreram por defenderem sua opção sexual, negros morreram por defenderem sua liberdade...entendem onde quero chegar?

As pessoas dão a vida por suas crenças! Se uma pessoa é um SkinRed que vai sair por ai matando negros, mendigos e homossexuais e ainda assim perseguirem ela, ela vai continuar com as suas crenças, pois as crenças individuais não são formadas da noite para o dia mas com um processo longo de aprendizagem, opinião, influência da vida e da sociedade.

Quando criei este artigo não espera escrever tanto, mas realmente este tema vem me preocupando. O que realmente tem que importar no mundo são os maus-tratos, a violência e a punição física, não valores internalizados.

Se nós temos negros, homossexuais, crianças ou o que mais for em nossa sociedade sendo perseguido, não temos que impedir as pessoas de terem opiniões contrárias mas sim criar leis para impedir que as pessoas façam algo que vá ferir ou machucar o próximo, como é o caso da lei Maria da Penha, que defende as mulheres de abusos sexuais e violências físicas.

Um dos fatores que me levaram a escrever este artigo é que eu já sofri muito preconceito em minha vida e nunca tive uma lei para me defender, nem por isso me tornei uma pessoa violenta ou pior pelo que aconteceu comigo, pelo contrário. Enfrentei as diversidades e preconceitos, dei a volta por cima e hoje faço a minha parte seguindo a minha vida. Assim foi comigo e com diversas pessoas que conheço.

Sinceramente, se opinião pessoal fosse motivo para tornar o mundo melhor, então a nossa política deveria ser a melhor do mundo. Quantos deputados, senadores, vereadores, prefeitos, presidentes ou quaisquer outros políticos não defendem o direito de todos e do povo? Quantos deles são corruptos e não fazem nada para o povo? Pois é...a opinião que eles mostram não é denotada pela atitude que eles tomam no dia a dia.




quinta-feira, 20 de junho de 2013

A Revolta dos 20 centavos - Parte I


Para começar este artigo, eu estive na passeata do Rio de Janeiro com outros 100 mil manifestantes e foi simplesmente fantástico. Todos aqueles cartazes, as pessoas unidas, o hino nacional, algo simplesmente espetacular. Eu cheguei com medo, já esperando o pior e o confronto com a polícia, mas nada disso aconteceu, o que de fato houve onde eu estava foi uma multidão unida e motivada em mostrar suas reivindicações ao mundo. Saímos da Av. Presidente Vargas em direção a Av. Rio Branco até a Cinelândia na maior paz. As pessoas nos apoiavam dos prédios piscando suas luzes, outras usavam seus celulares S3, S4, IPhone sem o risco de serem furtadas, alguns anunciavam notícias de outros lugares do Brasil e ainda alguns outros jogavam papeis picados para representar a paz e apoio ao Movimento. Foi tudo muito lindo e seria muito mais não fosse a imagem que ficaria na memória de muitas pessoas, a depredação da ALERJ (Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro) e de algumas lojas que haviam por perto e aqui eu começo tudo o que tenho a dizer.

Ouço muitos se perguntando onde nasceu o movimento, quem financia ou quem está por trás de tudo isso, neste artigo tentarei expor tudo o que conheço e acredito.

Primeiramente o movimento é independente e apartidário. Nisso muitos já se levantam e dizem que haviam bandeiras do PSOL e do PSTU, e realmente havia, mas eles não são a bandeira por trás dos movimentos, que em muitos lugares repetiam até as abaixarem: “SEM PAR-TI-DO!”. Que loucura é esta, que movimento é este?
Seja bem-vindo ao novo século, o tempo das Revoluções através da internet.





Os Anonymous são uma entidade/ideia, ser um Anonymous simplesmente significa que compartilha os valores e princípios de liberdade, sua defesa e a busca por ela. São pessoas do mundo inteiro insatisfeitas com o governo que possuem e que resolveram se unir através das redes sociais para lutar contra regimes ditatoriais ou até mesmo democracias em que o que prevalece é a mentira e corrupção. Somos todos os que desejamos um mundo com governos mais transparentes, que trabalham para o povo, ao invés de trabalhar contra o povo; onde os agente de paz estarão servindo o povo ao invés do estabelecimento do sistema. Para isso, eles propagam documentos sigilosos, divulgam vídeos de conscientização – documentários – e ainda organizam Revoluções nos governos do mundo inteiro. Não é possível entender o que está acontecendo no Brasil sem antes entender o que aconteceu na Espanha em 2011, o que acontece na Europa entre 2011-2013, o que aconteceu nas Primaveras Árabes e na Grécia.

Justamente por atuarem de forma “descentralizada, atuando de forma anônima, de maneira coordenada, geralmente em torno de um objetivo livremente combinado entre si e voltado principalmente a favor dos direitos do povo perante seus governantes.” (Wikipédia) é que ele é uma ideia tão mal compreendida por aqueles que estão fora do mundo cibernético, ou seja, quase todos os nossos governantes. Na Espanha eles tiveram um papel fundamental em organizar e manter a ordem de todos os manifestantes na Plaza Mayor – Madrid

No dia 18/06 foi postado isso em uma página dos Anonymous Rio:

Anonymous Rio

Com os espanhóis aprendemos a ser Indignados. 
Com os norte americanos aprendemos a Ocupar.
Com os chilenos aprendemos a usar limão contra o gás para não sermos presos por porte de vinagre.
Com os egípcios aprendemos a fazer máscara de gás com garrafa pet.
Nossas lutas aqui são as mesmas lutas em todo o planeta. O sistema é global e a resistência também tem que ser.

Temos que aprender a desconstruir o gueto que foi criado com nome de nação, país. Nossa nação é o mundo, nosso país é a Terra e nosso povo é o HUMANO.

Não nos deixemos restringir. Vamos emancipar nossas fronteiras mentais e físicas.”

Muitos falam de ataques de esquerda tentando tomar o poder, outros falam de grupos de radicais de direita, mas, na verdade, o que há é só algo simples: conscientização da população, justiça e cumprimento de direitos iguais – para mais informações sobre os Anonymous assistam o documentário “We are legion – Anonymous”

Agora que entendemos quem são os articuladores de tudo o que está acontecendo, nos perguntamos, como eles estão fazendo isso?

No ano de 2011 foi lançado este vídeo ao lado, mostrando as indignações daqueles que se reconhecem como Anonymous e o plano vigente para pôr em prática os ideais da “ideia Anonymous”. Como podem ver, já estamos na fase de transformação que eles publicaram há 2 anos atrás, muito antes de tudo isso acontecer.



Portanto, antes que me venham com teorias de Conspiração do governo brasileiro, você terá que surgir com uma teoria de Conspiração maior, de governo mundial. Porque tudo o que está acontecendo já foi premeditado, dito e tem caráter internacional.

Pacificidade vs Vandalismo

É interessante notar o que tem sido transmitido com relação aos atos de vandalismo. Primeiro temos que pensar, como e por quem estão sendo feitos este atos? Qual os motivos poderiam justificar os atos? E a ação da Polícia em relação a eles?

Então, em um primeiro momento, todos os movimentos começaram totalmente pacíficos e com um número extremamente reduzido de manifestantes. Pessoas que já tinham o costume de aderir a esses movimentos foram aos primeiros atos como de costume.

Ao final do ano passado eu fui a um movimento do “Dia do Basta”. Deveriam haver pouco mais de 1000 (mil) pessoas e todos os que estava ali já encontravam-se muito satisfeitos com o número, que costumava ser bastante menor. Como você me explica então o fato de em menos de 1 ano o número de protestadores aumentar de uma margem de mil para 100 mil manifestantes no Rio de Janeiro?

Tudo isso começou pela reação da polícia desde protestos anteriores como a reação deles aos índios na Aldeia Maracanã. Não estou aqui defendendo a causa dos indígenas, apenas afirmo, e a mídia insistiu em não noticiar, que os índios foram recebidos pelos policiais como se fossem marginais e bandidos. Com direito a gás lacrimogêneo, spray de pimenta, e bombas de efeito moral, eles foram expulsos do antigo museu do índio para dar lugar a construção de um estacionamento para o maracanã.
Além disso, outro fato que não fora registrado pela mídia, na inauguração do “Novo” Maracanã, com presença da presidenta Dilma Rousseff, novamente os manifestantes foram recebidos com todo o aparato policial para dispersá-los. Isso aconteceu uma, duas, três...diversas vezes, até que a passagem aumentou.

É “normal” que a passagem aumente todo ano e hajam protestos. TODO ano havia protestos contra o aumento da passagem. Tanto é que no local em que estudo, ficou por meses uma pichação na parede escrito “3,10 NÃO” - que seria o preço estipulado antes do governo federal reduzir a alíquota para os transportes e ficar com preço hoje de R$2,95 na cidade do RJ. O que não era normal eram os manifestantes tomarem porrada da polícia e da Tropa de Choque, com pouco mais de mil manifestantes. Tudo isso se repercutiu pelas redes sociais e o evento começou a ter comoção nacional. Em alguns Estados as tarifas foram reduzidas e então começaram as passeatas maiores, depois da divulgação das imagens dos policiais em confronto com os manifestantes mais alguns Estados conseguirem baixar as suas tarifas. Quanto mais os policiais batiam mais o número aumentava.
Para quem não entende essa lógica é só pensar nos Cristãos do século I perseguidos pelos romanos. Quanto mais os matavam, mais eles se multiplicava. Tanto é que há uma discussão se a aderência de Constantino ao cristianismo foi mesmo uma conversão ou um caráter político, pois ele simplesmente acabou com os confrontos. Isso é visto também na tomada da “Cidade Santa” - Jerusalém por parte dos Árabes. Eles foram massacrados pelos cristãos e depois voltaram com muito mais força. O mesmo se viu na Reforma Protestante e Revolução Francesa, a igreja perseguia os racionalistas e iluministas, matavam pessoas nas inquisições e ainda assim a revolução crescia...

A história nos mostra, com diversos exemplos, que o confronto é sempre pior do que o diálogo. Tanto é que, como vou deixar um vídeo ao final do artigo, a maioria das técnicas de “Manipulação das massas” são pacíficas e não causam “dor” a ninguém, simplesmente porque esta é a melhor maneira de se convencer a opinião pública.

Portanto, embora eu e os vídeos dos Anonymous que postarei aqui sejamos contrários a qualquer ato de vandalismo, depredação ou violência, isso é completamente inteligível, por que?
Além de tudo o que eu citei acima, a paciência do povo brasileiro explodiu, como uma panela de pressão, alguns simplesmente não se contêm e começam a fazer quebra-quebra, por isso sou a favor dos manifestantes pacíficos se unirem contra isso de mãos dadas, afinal, são em número muito maior.

Você quer saber quem são algumas das pessoas que participam dessas badernas? Passa na Central em um sábado de manhã fria que você vai descobrir. Crianças e jovens de todas as idades sem pais, sem mães, ignoradas pelo sistema e abandonados. Todos dormindo juntos, abraçados e com cobertores velhos. Passa na Avenida Brasil e veja as centenas de pessoas fumando crack lá sem o mínimo de pudor. Eles não podem ser completamente culpados, o sistema fez essa bolha estourar.

Não estou justificando aqui a não punição dos agressores e vândalos, só estou dizendo alguma das poucas motivações para tais. Ainda assim, há uma terceira e mais perigosa força dentro das manifestações – os invasores.

Esses caras vão, geralmente, para as manifestações mascarados – não com a máscara de Guy Fawkes somente – mas com camisas enroladas ao rosto. Eles não se animam com as palmas e não estão nem ai para a cantoria, só fazem para disfarçar. CUIDADO COM ELES! Se for a uma manifestação e perceber que alguém está agindo assim, está incitando o ódio, o rancor ou a raiva, saia de perto. Este é um momento perfeito para que partidos oposicionista e até mesmo os que estão no poder, infiltrem pessoas para desmoralizar e quebrar o sentido de toda e qualquer reivindicação.
Cuidado com eles!

Mídias

Ultimamente não tenho dormido ou comido direito, tudo o que tenho feito é acompanhar o que vem ocorrendo para escrever este artigo que espero que me traga a fome, sono e vontade de estudar de volta..rs

Então, após chegar dos protestos, passei em média umas 8 horas assistindo os canais Globo, Record, Globo News e Band comparando todas as informações passadas para ver qual era a deles em relação aos protestos, e me surpreendi.

A primeira surpresa foi ver que eles, ao invés do que vinham fazendo ao longo de toda a outra semana, passaram a enfatizar o movimento pacífico em vez de enfatizar o vandalismo na ALERJ. Porém, ainda assim, os enfoques foram diferentes.

O mais legal de todos – ÓBVIO – foi o CQC, que conseguiu colocar humor na reportagem. Com o jornalista Gustavo Noblat no meio da manifestação, ele chutou uma bomba de gás
Gustavo Noblat
lacrimogêneo de volta para os policiais e começou a gritar, só que rindo, com um policial “em mim não porra, em mim não” que estava atirando balas de borracha, o policial simplesmente riu – assim como eu. Ali eu percebi o caráter humano dos policiais e como eles realmente estão tendo que cumprir ordens, mas voltando.

O Datena, que antes criticava as manifestações estava falando do caráter pacífico e elogiava a desenvoltura dos manifestantes pacíficos. Ele falou mal do governo, incitou a corrupção, problemas de saúde, resumindo, a BAND cobriu muito bem até onde vi.

Na Record, achei muito interessante a forma como eles trataram as manifestações. Primeiramente, eu estava na manifestação mas pessoas que acompanharam pela TV me diziam que a repórter ou os repórteres da Rede Record estavam no meio do povo e transmitindo, ao vivo, muito bem as reportagens. Assim que cheguei a casa, não acompanhei
muito por ela, mas no dia seguinte eu acompanhei o “Balanço Geral” com o Wagner Montes e achei que ele foi o que mais mostrou o lado dos manifestantes, seja nas confusões ou no pacifismo. Nas confusões ele mostrou erros da polícia e os manifestantes. Durante o programa, eles convidaram dois manifestantes, que representavam algum partido – não me lembro se foi político ou de faculdade – e comentaram sobre as manifestações, bem interessante e diferente.

A Globo News noticiou muito bem. Acredito que pelo fato de poder ter mais tempo para exibir as matérias. Para mim foi uma grande surpresa ver a globo não falando somente mal, que era
o que eu esperava ouvir. Havia alguns repórteres que estavam na ALERJ e trouxeram imagens exclusivas que foram bem legais mas que, ao mesmo tempo, parecia que, mesmo que eles não estivessem falando isso e enfatizassem a palavra “Movimento Pacífico”, com a quantidade de tempo que as imagens da ALERJ pegando fogo passavam nas reportagens, dava a entender que os manifestantes só fizeram isso, o que não foi. Mesmo assim houve um progresso. Na Globo, eles repetiram os vídeos que passaram na Globo News e enfatizaram muito mais o aspecto violento da manifestação no início e a parte mais pacífica ao final.

INTERNET

Fiquei um bom tempo sem internet então acabei demorando a me inteirar direito sobre os assuntos que estavam rolando. Primeiramente, fiquei completamente focado no Facebook seguindo a todo momento as postagens do Anonymous Rio, Anonymous Brasil e AnonymousBrasil (tudo junto) para me informar melhor sobre o que estava acontecendo. Como eles fornecem informações a quase todo o tempo, foi uma grande maneira de saber quando, por quem e como eram agredidos os manifestantes ou quando, por quem e como começavam os vandalismos.

Acredito que as páginas Anonymous são as mais importantes porque tudo começou a inaugurar graças a eles, portanto, há muita ajuda e aderência por parte do “movimento” - chamo movimento pelo que propagam na internet, mas os Anonymous são uma ideia, só.

Nos sites há uma propagação de valores muito em prol das manifestações, algo muito legal de se ver, principalmente nos jornais estrangeiros. Hoje (19/06) a BBC pediu desculpas por um erro de reportagem e pediu para que os manifestantes pudessem colaborar enviando fotos e vídeos à eles. Alguns outros sites falam algumas conspirações e tal...mas o que mais me chamou atenção era uma ideia propagada de que a Dilma e o PT estavam forjando uma ditadura comunista com tudo o que estava acontecendo. O que eu me perguntava enquanto via o vídeo do cara falando era como ela iria implantar uma ditadura comunista se nem os militares estão ao lado dela? Se a população a vaia em um estádio com jogo internacional e etc, é algo a se questionar.

Fora isso tem a reportagem que vou colocar um trecho que, na minha opinião, foi a mais medíocre que eu li. Ele apoia a posição do PT e do governo.

Essa juventude está contaminada pelo discurso plantado de modo sistemático e recorrente pela Rede Globo, segundo o qual, vivemos no pior país do mundo, mal administrado, precário, aquele onde a corrupção sobrevive, já tendo sido exterminada em todas as outras paragens do planeta. 
A vaia que Dilma tomou em estádio de futebol apenas serve para provar uma antiga tese que defendo: políticos não devem comparecer a eventos esportivos, onde a ingestão de bebida alcoólica antecede as partidas e entorpece a razão.http://www.brasil247.com/pt/247/poder/105762/Empoderados-e-desiludidos.htm 

A opinião de alguns sites também foram muito interessante como o do Le Monde Diplomatique, eis ai alguns trechos:

3 – Na linha da descaracterização, Jabor, Pondé, Veja e sentinelas da despolitização de plantão querem dizer que as manifestações são por um sentimento geral de insatisfação, contra a corrupção, contra a criminalidade. Nem seria de todo mal debater esses temas, se não fosse de forma completamente distorcida. Afinal, esses setores costumam falar em corrupção sem debater que ela acontece via PPP (ou tem gente que acha que Eike Batista e afins nunca pagaram propina ou corromperam pra crescer seus polpudos lucros?), sem citar reforma política e com ojeriza a temas essenciais como o financiamento público de campanha. Se os políticos se vendem, alguém compra.
Da mesma maneira, falam da criminalidade sem mencionar as estruturas que mantém a desigualdade social, econômica e espacial. Que alimentam a insegurança pública generalizada. E fingem ainda não participar dessas estruturas. Normalmente, apoiam medidas como Rota na rua como se isso fosse resposta à criminalidade – e sim, a mesma rota que deu o show de horrores na quinta-feira, que fez o massacre no Pinheirinho há pouco mais de um ano e que há muito criminaliza a pobreza a os movimentos sociais, seguindo o comando do Senhor Geraldo Alckmin de botar pra quebrar contra os baderneiros.”


Os Anonymous divulgaram um arquivo com todos os dados pessoais e posses materiais de mais de 600 políticos:
HACKERS QUEBRAM SIGILO DE MAIS DE 600 POLÍTICOS →
http://www.brasil247.com/pt/247/poder/105922/Hackers-quebram-sigilo-de-mais-de-600-pol%C3%ADticos-Hackers-quebram-sigilo-mais-600-pol%C3%ADticos.htm

Arquivo → http://www.anonpaste.me/anonpaste2/index.php?495e80b2d6fc3424#maVpcox/PRjdCEV2kHSBDxYgs3wAOJBozrzqxyix5Ms=

Só para terem uma ideia:
Sabe de quem são esses bens? Adivinha! 

Bens: Apartamento Financiado Com 2 Boxes- R$ 250.520,00
Apartamento Sito A - Porto Alegre RS R$ 290.302,29
Casa Porto Alegre Rs R$ 104.047,44
(...)
Valor total dos bens declarados: R$ 1.066.347,47 (Valores Sabotados)”


É isso ai pessoal, ainda tenho mais coisas para falar e escrever mas não dá, também tenho que voltar a focar na faculdade.

Vou deixar mais um vídeo muito bom aqui para quem quiser refletir mais ainda:




Na parte II escreverei mais sobre a posição dos políticos, do processo político atual e das reivindicações.

Nos vemos até lá, talvez demore um pouco, mas voltarei! ;)