(Israel, Palestina, Faixa de Gaza, Conflitos)
Imagine que
você seja alguém muito rico e que more em um país X. Comprou uma linda casa em
frente a praia e construiu uma grande fortaleza, afinal, sua família é bastante
visada e ameaçada fora dali. Sua casa é linda e de causar inveja a muitos que
passam por ali, só que tem um problema, você não pensou antes de construir o
seu império em um lugar pouco policiado e rodeado por uma sociedade mais pobre
e com muitos problemas sociais.
Com o entra e
sai da sua casa, você acaba se tornando visado também pela população local, que
começa a sentir raiva por você ter uma vida melhor do que a deles. Assim, você
e sua família começam a ser ameaçados e alguém lhe envia um recado de que é
melhor vocês saírem dali porque aquela terra os pertence e você está
incomodando a população local. Primeiramente você informa aquilo às autoridades
competentes, mas eles nada fazem, já que a localidade é distante e fora da
jurisdição deles. Eles não podem simplesmente colocar ali uma patrulha pois
faltam verbas ao Estado para gerir aquela localidade e por mais que você apele,
eles não vão lhe ajudar. O problema é que, assim como a população local, você é
alguém que se apegou muito ao local e não quer abandoná-lo, sente como se ali
fosse parte de sua vida e tudo o que queria era viver em paz.
Para tanto,
você, como tem muito dinheiro, resolve colocar cercas elétricas, câmeras de
segurança e seguranças armados – a legislação deste país fictício permite isso.
Como a jurisdição local é fraca e você também se acha dono do mundo, resolve
expandir a área de sua casa também para a areia da praia e utiliza o argumento
de que também deseja utilizar a praia mas não pode mais fazer isso diante de
tantas ameaças, desta maneira amplia o seu território, violando a jurisdição
local e o direito da população daquele lugar de utilizar melhor a praia.
Os órgãos
jurídicos são acionados e entram com ações contra você e sua família, mas o seu
poder e riqueza os impede de fazer alguma coisa. Você alega que sua família só
quer viver em paz e que a ampliação de território nada mais é do que o que
vocês podem fazer para viver melhor. Chegando a este ponto, a população local
começa a querer invadir a casa das mais diversas maneiras, até mesmo escavando
túneis para uma invasão por baixo da casa. Tudo isso leva a você investir mais
ainda o seu dinheiro em segurança e passa agora a armar os seus seguranças com
armas letais e fuzis de longo alcance.
(Perceba que
tudo isso não é nada mais do que uma disputa de egos, você por não querer sair
dali, pois se acha poderoso e cheio da grana, e a população local por não
aceitarem que a sua situação de vida é melhor do que a deles e que você tem o
direito, por lei, de ter aquela casa)
A briga se
torna mais intensa, e o que era local passa a se tornar objeto de discussão
nacional, depois que uma das pessoas que tentava invadir a sua casa morre com
um tiro na cabeça, por um tiro disparado de um dos seus seguranças. E na
movimentação, um dos seguranças atinge outro dos invasores na perna e uma bala
perdida acerta uma criança que estava passando pelo local no momento, que morre
logo em seguida.
(...)
Poderia
continuar esta história mas vou parar por aqui. Por mais que os elementos
jurídicos, locais e políticos possam variar, trouxe esta história para poder trazer
à tona a questão do que vem acontecendo na Faixa de Gaza neste momento entre
Israel e a população daquele local.
As violações de
Direitos Humanos por parte de Israel são inúmeras, desde os assentamentos ilegais
em território palestino até a morte de crianças inocentes. A questão a qual me
trouxe esta reflexão é, por qual motivo decisões pacíficas não são tomadas? O
mundo inteiro está contra Israel neste momento, mas até que ponto as decisões
de Israel são meras defesas do próprio direito e ataque aos de terceiros?
Esta minha
interpretação parte do ponto de vista de que os únicos inocentes da situação são
os cidadãos da Faixa de Gaza e de Israel, mas que somente os da Faixa de Gaza
geram comoção por causa das mortes de inocentes. Acontece que, assim como o
exemplo que dei acima, Israel poderia ficar somente dentro de sua “própria casa”
esperando ser atacado, ou partir pra cima daqueles a quem eles tem como
inimigos. A diferença de poder gritante, porém, não é necessária para se
defender ou ganhar uma guerra, vide ai a derrota da Alemanha na 2ª Guerra
Mundial, dos EUA no Vietnam na Guerra Fria e da Rússia na guerra entre eles e
os japoneses.
Israel recebe
ataques todos os dias de mísseis lançados pelo Hamas, mas não sofrem nenhum
tipo de baixa ou destruição graças a seu escudo antimísseis chamado “Cúpula de
Ferro”, desenvolvido pela indústria de armas israelense e que necessita de
enviar 2 projéteis de $50.000,00 cada, para cada míssil enviado contra Israel.
Neste ponto, quem sai ganhando é a indústria de armas israelense que precisa
trabalhar a todo o vapor para desenvolver defesas ainda mais eficientes e,
agora, ataques ainda mais precisos.
Acontece que, a
região que está sendo atacada, nada mais é do que uma das regiões mais povoadas
do planeta em termos de metro quadrado. Isso significa que, mesmo que ela
esteja rodeada de pessoas inocentes e grupos interessados em atacar Israel, a
possibilidade de um contragolpe de Israel atingir civis inocentes é quase que
total. Isto acarreta a Israel uma tarefa de desenvolver uma grande defesa, mas
que, tendo em vista o Direito Internacional e Direitos Humanos, também a “obrigação”
de não retaliar, considerando que isso ameaçaria a vida de pessoas inocentes.
Quando, porém, é o limite entre receber tapas e não retribuir em uma lei que
ainda considera o “olho por olho e dente por dente”?
Israel vive
pressionado entre o Direito do não dever e o Direito de se defender e retaliar
contra um inimigo que é representado por pequenos grupos que atuam contra
aquele Estado. E então, o que fazer no lugar de Israel? Atacar ou não atacar? Eis
a questão.
Levando-se em
conta que Israel possui um governo radical e que quer defender suas posses de
qualquer maneira, garantindo a segurança e o bem estar de “sua família” e que o
adversário não possui uma centralidade, é dividido e integrado por grupos que
não aceitam, de maneira pacífica, a sua estadia naquele local, como então
resolver esta questão?
Para muitos é
simples, afinal, devolve “a praia conquistada” ao espaço a que era destinada,
se resolve com a população local, desenvolve uma vida para eles ali e, pronto,
estará tudo resolvido. Por que então isso não aconteceu agora?
Tenho meus
palpites, que vão além da simples economia e política. A disputa territorial
naquela região ultrapassa as barreiras físicas e embarca na questão ideológica.
Palestinos e judeus são presos a questão territorial e ambos desejam quase a
mesma parcela local. A menos que eles encontrassem uma maneira de conviverem
pacificamente (o que seria muito difícil nos moldes atuais), somente ceder
território aos palestinos não resolveria a questão da palestina, tendo em vista
que este conflito, como minha concepção interpreta, é muito maior do que
meramente político, econômico ou físico.
O poder
econômico e político, que não é bobo nem nada, sabe muito bem disso e se
aproveita para jogar palestinos e judeus uns contra os outros. É possível
encontrar nas histórias da Torah ou do Alcorão passagens que irão dividir
aqueles povos; e usar isso contra eles é, justamente, o que atende aos
interesses de grupos como o Hamas e os políticos radicais de Israel. Nesta
história não existem santos, sejam eles israelenses ou palestinos, todos são
culpados pelo o que acontece na região; e se trata muito mais de uma questão de
ego e falta de humildade do que política e econômica, afinal, ninguém quer
ceder nada para o outro e a convivência pacífica em um mesmo território está
fora de cogitação por ambos.
A história nos
demonstra que árabes e judeus já viveram muitas vezes pacificamente, porém o
que acontece hoje nada mais é do que utilizar a própria crença religiosa deles
contra eles mesmos e não a história. Enquanto as mídias tomam seus partidos, do
lado dos palestinos ou judeus, pessoas inocentes morrem na Faixa de Gaza e
somente Israel é o culpado, sem se lembrarem que, não fosse a defesa aérea e
territorial israelense, eles já teriam sido riscados do mapa por parte da “população
local” (grupos que não desejam a existência Israel). Israel se defende de um
inimigo perigoso pois luta não contra um Estado em específico, mas contra
grupos locais. E os palestinos lutam com um grupo mais perigoso ainda pois não
possuem defesa e não lutam contra um grupo, mas contra um Estado.
Neste ponto,
acaba que toda a responsabilidade recai sobre Israel tendo em vista o seu
poder, influência e riqueza. Porém, o quanto é dito sobre os palestinos que não
desejam acordo pacífico com Israel? E as centenas de mísseis que são lançados
contra Israel? Pode a arrogância nacionalista israelense ser culpada pela morte
de todos estes inocentes ou o conflito é muito mais abrangente que isto?
Pessoas
inocentes não devem morrer em lugar nenhum, nem mesmo as não inocentes. Pessoas
não devem morrer, esta é a questão, não importa se sejam elas judias, negras,
brancas ou palestinas. Se algum cidadão judeu morresse por um míssil lançado da
Faixa de Gaza, ele não seria um culpado morto em conflito, mas seria mais um
inocente, mais uma pessoa morte. A questão da culpa de Israel porém é tomada,
unicamente, porque estes se defendem contra um inimigo que não é um Estado e, mais
que isso, que não representa um todo da sociedade palestina. Mas e então, o que
fazer contra um inimigo que se mistura à população entre crianças, mulheres e
jovens? Como identificar um inimigo que possui a mesma fisionomia e mora no
mesmo local dos inocentes? Infelizmente, não há como.
As escolhas,
embora arrogantes – do outro lado também – são poucas. De um ponto de vista somente
de Defesa, o Estado israelense poderia somente manter-se defendendo eternamente
ou atacar o inimigo para desmantelar as suas forças.
Ainda assim,
seja o ataque por parte de Israel ou dos grupos rebeldes palestinos, nenhum
deles age de uma maneira sensata a resolução do conflito. Como disse acima,
estes dois grupos – o governo israelense e os grupos rebeldes palestinos –
aproveitam-se da revolta do povo e da fragilidade da região para ampliarem seus
poderes e aumentarem o conflito no local, usando as crenças ideológicas e
religiosas para jogar uns contra os outros e trazerem mais pessoas à causa –
mas só Israel sai como culpado. E assim, entram-se anos e passam-se anos e a
região continua sendo uma das mais conflituosas do mundo. Em Israel a população
acorda com sirenes e correndo para abrigos antibombas enquanto que na Faixa de
Gaza elas acordam, literalmente, com explosões de bombas na sua própria casa.
Tudo isto, nada
mais é do que um reflexo do próprio egoísmo humano, seja ele por parte dos israelenses,
que não aceitam negociar com grupos como o Hamas e não cedem às exigências
palestinas, e dos próprios palestinos, principalmente os mais radicais, que não
aceitam a presença de Israel na região e apelam para o uso da força, o que
fortalece ainda mais os israelense e distancia ainda mais uma resolução
pacífica para a região.
Observando de
uma forma puramente idealista, o conflito naquela região jamais se resolverá
cedendo ou não cedendo território, os cidadãos locais precisariam reconhecer
que eles têm que conviver em harmonia uns com os outros – sim, é idealista. De
uma análise mais prática, a comunidade internacional teria que ser mais enérgica
contra Israel e, também, contra os palestinos. Devolver os territórios tomados
por Israel, criar o Estado da Palestina, criar um acordo internacional de não
agressão entre eles, tornar Jerusalém uma capital comum entre Israel e a Palestina,
fazer com que a Palestina criasse leis duras contra grupos radicais e
terroristas e, por fim, ajudar no desenvolvimento daquele país.
O problema todo
é que, ao contrário da estória que inventei acima, o Direito Internacional não
possui uma entidade máxima que faça valer a sua força e sua intenção. Por mais
que todos os Estados do mundo acordem sobre os problemas na região – o que é
quase impossível –, para que o Direito Internacional possa valer, é necessário
que exista o Estado da Palestina e que Israel aceite a interferência externa em
seus assuntos pessoais.
Este é um
problema complexo e que não pretendo resolvê-lo com esta postagem, mas que,
justamente, gostaria de apresentar uma ideia de que, tanto Israel quanto os
grupos rebeldes são culpados e não somente os israelenses como se apregoa pela
mídia.