segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Cara ou Coroa?

Este artigo foi escrito por mim em março de 2013, assim como o próximo, ainda assim são válidos para este momento ou qualquer outro.

Ultimamente, com a intensificação dos protestos contra o pastor/presidente da Comissão de Direitos Humanos Marco Feliciano e umas discussões que tive no facebook a respeito de Ciência, venho passando a perceber um aspecto do mundo que vem me incomodando.

Provavelmente você já ouviu aquela frase “ame o próximo como a ti mesmo”, não já? Pois então, se não ouviu, saiba que, quase a totalidade das religiões presentes no mundo possuem esta frase de uma maneira similar. Porém quando estudamos Ciência Política, começa-se a entender que o que rege o mundo na verdade, não são as visões religiosas dele, mas as visões políticas.

A nossa sociedade é coberta por opiniões do tipo “respeitar ao próximo”, “respeitar os Direitos Humanos”, “não emitir opiniões vulgares sobre alguém”, etc, porém sabemos que nem tudo é como se deseja ser.

Cresce no mundo, cada vez mais, uma falsa sensação de liberdade. Podemos emitir opiniões, “falar o quanto queremos sobre o que quisermos”, mas se em algum momento emitirmos uma opinião que vá contra o senso comum da sociedade ou o que se tem, falsamente, chamado de liberdade, então somos taxados como idiotas, imbecis, desprovidos de inteligência, de direita, sem cultura ou o que mais desejar acrescentar a este vasto vocabulário.

Mas você deve estar se perguntando: “Tudo bem, mas por que você está falando isso?”

Porque é o seguinte, estão tirando o Direito das pessoas emitirem opiniões contrárias ao que a maioria da sociedade diz ou acredita, e isto é uma forma de manipulação. Mais radicalmente se dizendo, pode-se cogitar que é uma ditadura de opinião. Vejamos o porquê de eu achar isso e por que acho que ter opinião é diferente de respeito.

No Estado Nazista de Hitler ou na União Soviética, se você tivesse uma opinião contrária ao senso comum do Estado, ou você era morto, recluso ou preso. Em um Estado democrático, o mínimo que deveria existir era o Direito de emitir a sua opinião, seja ela qual fosse: defender os homossexuais ou não, acreditar em Deus ou não, seguir o método tradicional científico ou não, e assim sucessivamente.

Na sociedade pós-moderna vivemos um momento que eu chamaria de desequilíbrio de opinião, como assim? Simplesmente as opiniões são equilibradas pelas suas oposições, e aquele que vence essa disputa de poder ou se torna mais dominante terá mais privilégios em emitir mais as suas ideias do que o lado oposto.


Imagine por um momento uma balança de pratos. De um lado temos cientistas que acham que qualquer pesquisa que saia do campo tradicional do método científico é inválida. Do outro lado, temos aqueles que, ousando ir contra o mar de opiniões contrárias, seguem um outro viés de pesquisa, ou até mesmo seguem o método científico porém tentando descobrir questões fora da Ciência tradicional, e são minoria

Com a balança na qual citei, o lado científico tradicional vence e qualquer tentativa de se mudar essa tradicionalidade perde. Assim podemos também trazer isto para o campo político, social ou qualquer outro.

A democracia, diz-se ela, diferencia-se dos outros regimes pela liberdade de opinião de uma pessoa. Se ela, por sua crença pessoal ou não, acredita que o mundo não é esférico – deformado, oval, que seja –, só tem uma maneira de mudar a opinião dela, que é através da Educação, sem mais. Se você simplesmente chega e cria uma lei dizendo: “qualquer pessoa que pregue que o mundo não é redondo está passível de prisão e sua pena poderá pegar de 2 a 3 anos de cadeia ou serviços comunitários.”, cria-se somente mais ódio, raiva e rancor contra a opinião: “o mundo é esférico” pelo simples fato da pessoa que não acredita pensar: “Por que não posso acreditar o contrário? Quem são eles para me privarem de minha crença?”

Cristãos morreram queimados e arrastados no Império Romano, Judeus – eles são um povo, não uma religião – foram assassinados na 2ª Guerra Mundial, Muçulmanos e Islâmicos foram assassinados por cristãos na Idade Média, homossexuais morreram por defenderem sua opção sexual, negros morreram por defenderem sua liberdade...entendem onde quero chegar?

As pessoas dão a vida por suas crenças! Se uma pessoa é um SkinRed que vai sair por ai matando negros, mendigos e homossexuais e ainda assim perseguirem ela, ela vai continuar com as suas crenças, pois as crenças individuais não são formadas da noite para o dia mas com um processo longo de aprendizagem, opinião, influência da vida e da sociedade.

Quando criei este artigo não espera escrever tanto, mas realmente este tema vem me preocupando. O que realmente tem que importar no mundo são os maus-tratos, a violência e a punição física, não valores internalizados.

Se nós temos negros, homossexuais, crianças ou o que mais for em nossa sociedade sendo perseguido, não temos que impedir as pessoas de terem opiniões contrárias mas sim criar leis para impedir que as pessoas façam algo que vá ferir ou machucar o próximo, como é o caso da lei Maria da Penha, que defende as mulheres de abusos sexuais e violências físicas.

Um dos fatores que me levaram a escrever este artigo é que eu já sofri muito preconceito em minha vida e nunca tive uma lei para me defender, nem por isso me tornei uma pessoa violenta ou pior pelo que aconteceu comigo, pelo contrário. Enfrentei as diversidades e preconceitos, dei a volta por cima e hoje faço a minha parte seguindo a minha vida. Assim foi comigo e com diversas pessoas que conheço.

Sinceramente, se opinião pessoal fosse motivo para tornar o mundo melhor, então a nossa política deveria ser a melhor do mundo. Quantos deputados, senadores, vereadores, prefeitos, presidentes ou quaisquer outros políticos não defendem o direito de todos e do povo? Quantos deles são corruptos e não fazem nada para o povo? Pois é...a opinião que eles mostram não é denotada pela atitude que eles tomam no dia a dia.




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