Este artigo foi escrito por mim em março de 2013, assim como o próximo, ainda assim são válidos para este momento ou qualquer outro.
Ultimamente,
com a intensificação dos protestos contra o pastor/presidente da
Comissão de Direitos Humanos Marco Feliciano e umas discussões que
tive no facebook a respeito de Ciência, venho passando a perceber um
aspecto do mundo que vem me incomodando.
Provavelmente
você já ouviu aquela frase “ame o próximo como a ti mesmo”,
não já? Pois então, se não ouviu, saiba que, quase a totalidade
das religiões presentes no mundo possuem esta frase de uma maneira
similar. Porém quando estudamos Ciência Política, começa-se a
entender que o que rege o mundo na verdade, não são as visões
religiosas dele, mas as visões políticas.
A nossa
sociedade é coberta por opiniões do tipo “respeitar ao próximo”,
“respeitar os Direitos Humanos”, “não emitir opiniões
vulgares sobre alguém”, etc, porém sabemos que nem tudo é como
se deseja ser.
Cresce
no mundo, cada vez mais, uma falsa sensação de liberdade. Podemos
emitir opiniões, “falar o quanto queremos sobre o que quisermos”,
mas se em algum momento emitirmos uma opinião que vá contra o senso
comum da sociedade ou o que se tem, falsamente, chamado de liberdade,
então somos taxados como idiotas, imbecis, desprovidos de
inteligência, de direita, sem cultura ou o que mais desejar
acrescentar a este vasto vocabulário.
Mas
você deve estar se perguntando: “Tudo bem, mas por que você está
falando isso?”
Porque
é o seguinte, estão tirando o Direito das pessoas emitirem opiniões
contrárias ao que a maioria da sociedade diz ou acredita, e isto é
uma forma de manipulação. Mais radicalmente se dizendo, pode-se
cogitar que é uma ditadura de opinião. Vejamos o porquê de eu
achar isso e por que acho que ter opinião é diferente de respeito.
No
Estado Nazista de Hitler ou na União Soviética, se você tivesse
uma opinião contrária ao senso comum do Estado, ou você era morto,
recluso ou preso. Em um Estado democrático, o mínimo que deveria
existir era o Direito de emitir a sua opinião, seja ela qual fosse:
defender os homossexuais ou não, acreditar em Deus ou não, seguir o
método tradicional científico ou não, e assim sucessivamente.
Na
sociedade pós-moderna vivemos um momento que eu chamaria de
desequilíbrio de opinião, como assim? Simplesmente as opiniões são
equilibradas pelas suas oposições, e aquele que vence essa disputa
de poder ou se torna mais dominante terá mais privilégios em emitir
mais as suas ideias do que o lado oposto.
Imagine
por um momento uma balança de pratos. De um lado temos cientistas
que acham que qualquer pesquisa que saia do campo tradicional do
método científico é inválida. Do outro lado, temos aqueles que,
ousando ir contra o mar de opiniões contrárias, seguem um outro
viés de pesquisa, ou até mesmo seguem o método científico porém
tentando descobrir questões fora da Ciência tradicional, e são
minoria
Com a
balança na qual citei, o lado científico tradicional vence e
qualquer tentativa de se mudar essa tradicionalidade perde. Assim
podemos também trazer isto para o campo político, social ou
qualquer outro.
A
democracia, diz-se ela, diferencia-se dos outros regimes pela
liberdade de opinião de uma pessoa. Se ela, por sua crença pessoal
ou não, acredita que o mundo não é esférico – deformado, oval,
que seja –, só tem uma maneira de mudar a opinião dela, que é
através da Educação, sem mais. Se você simplesmente chega e cria
uma lei dizendo: “qualquer pessoa que pregue que o mundo não é
redondo está passível de prisão e sua pena poderá pegar de 2 a 3
anos de cadeia ou serviços comunitários.”, cria-se somente mais
ódio, raiva e rancor contra a opinião: “o mundo é esférico”
pelo simples fato da pessoa que não acredita pensar: “Por que não
posso acreditar o contrário? Quem são eles para me privarem de
minha crença?”
Cristãos
morreram queimados e arrastados no Império Romano, Judeus – eles
são um povo, não uma religião – foram assassinados na 2ª Guerra
Mundial, Muçulmanos e Islâmicos foram assassinados por cristãos na
Idade Média, homossexuais morreram por defenderem sua opção
sexual, negros morreram por defenderem sua liberdade...entendem onde
quero chegar?
As
pessoas dão a vida por suas crenças! Se uma pessoa é um SkinRed
que vai sair por ai matando negros, mendigos e homossexuais e ainda
assim perseguirem ela, ela vai continuar com as suas crenças, pois
as crenças individuais não são formadas da noite para o dia mas
com um processo longo de aprendizagem, opinião, influência da vida
e da sociedade.
Quando
criei este artigo não espera escrever tanto, mas realmente este tema
vem me preocupando. O que realmente tem que importar no mundo são os
maus-tratos, a violência e a punição física, não valores
internalizados.
Se nós
temos negros, homossexuais, crianças ou o que mais for em nossa
sociedade sendo perseguido, não temos que impedir as pessoas de
terem opiniões contrárias mas sim criar leis para impedir que as
pessoas façam algo que vá ferir ou machucar o próximo, como é o
caso da lei Maria da Penha, que defende as mulheres de abusos sexuais
e violências físicas.
Um dos
fatores que me levaram a escrever este artigo é que eu já sofri
muito preconceito em minha vida e nunca tive uma lei para me
defender, nem por isso me tornei uma pessoa violenta ou pior pelo que
aconteceu comigo, pelo contrário. Enfrentei as diversidades e
preconceitos, dei a volta por cima e hoje faço a minha parte
seguindo a minha vida. Assim foi comigo e com diversas pessoas que
conheço.
Sinceramente,
se opinião pessoal fosse motivo para tornar o mundo melhor, então a
nossa política deveria ser a melhor do mundo. Quantos deputados,
senadores, vereadores, prefeitos, presidentes ou quaisquer outros
políticos não defendem o direito de todos e do povo? Quantos deles
são corruptos e não fazem nada para o povo? Pois é...a opinião
que eles mostram não é denotada pela atitude que eles tomam no dia
a dia.
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