segunda-feira, 14 de julho de 2014

Quando todos estão errados, mas só um lado gera comoção


(Israel, Palestina, Faixa de Gaza, Conflitos)

Imagine que você seja alguém muito rico e que more em um país X. Comprou uma linda casa em frente a praia e construiu uma grande fortaleza, afinal, sua família é bastante visada e ameaçada fora dali. Sua casa é linda e de causar inveja a muitos que passam por ali, só que tem um problema, você não pensou antes de construir o seu império em um lugar pouco policiado e rodeado por uma sociedade mais pobre e com muitos problemas sociais.

Com o entra e sai da sua casa, você acaba se tornando visado também pela população local, que começa a sentir raiva por você ter uma vida melhor do que a deles. Assim, você e sua família começam a ser ameaçados e alguém lhe envia um recado de que é melhor vocês saírem dali porque aquela terra os pertence e você está incomodando a população local. Primeiramente você informa aquilo às autoridades competentes, mas eles nada fazem, já que a localidade é distante e fora da jurisdição deles. Eles não podem simplesmente colocar ali uma patrulha pois faltam verbas ao Estado para gerir aquela localidade e por mais que você apele, eles não vão lhe ajudar. O problema é que, assim como a população local, você é alguém que se apegou muito ao local e não quer abandoná-lo, sente como se ali fosse parte de sua vida e tudo o que queria era viver em paz.

Para tanto, você, como tem muito dinheiro, resolve colocar cercas elétricas, câmeras de segurança e seguranças armados – a legislação deste país fictício permite isso. Como a jurisdição local é fraca e você também se acha dono do mundo, resolve expandir a área de sua casa também para a areia da praia e utiliza o argumento de que também deseja utilizar a praia mas não pode mais fazer isso diante de tantas ameaças, desta maneira amplia o seu território, violando a jurisdição local e o direito da população daquele lugar de utilizar melhor a praia.

Os órgãos jurídicos são acionados e entram com ações contra você e sua família, mas o seu poder e riqueza os impede de fazer alguma coisa. Você alega que sua família só quer viver em paz e que a ampliação de território nada mais é do que o que vocês podem fazer para viver melhor. Chegando a este ponto, a população local começa a querer invadir a casa das mais diversas maneiras, até mesmo escavando túneis para uma invasão por baixo da casa. Tudo isso leva a você investir mais ainda o seu dinheiro em segurança e passa agora a armar os seus seguranças com armas letais e fuzis de longo alcance.

(Perceba que tudo isso não é nada mais do que uma disputa de egos, você por não querer sair dali, pois se acha poderoso e cheio da grana, e a população local por não aceitarem que a sua situação de vida é melhor do que a deles e que você tem o direito, por lei, de ter aquela casa)

A briga se torna mais intensa, e o que era local passa a se tornar objeto de discussão nacional, depois que uma das pessoas que tentava invadir a sua casa morre com um tiro na cabeça, por um tiro disparado de um dos seus seguranças. E na movimentação, um dos seguranças atinge outro dos invasores na perna e uma bala perdida acerta uma criança que estava passando pelo local no momento, que morre logo em seguida.
(...)

Poderia continuar esta história mas vou parar por aqui. Por mais que os elementos jurídicos, locais e políticos possam variar, trouxe esta história para poder trazer à tona a questão do que vem acontecendo na Faixa de Gaza neste momento entre Israel e a população daquele local.

As violações de Direitos Humanos por parte de Israel são inúmeras, desde os assentamentos ilegais em território palestino até a morte de crianças inocentes. A questão a qual me trouxe esta reflexão é, por qual motivo decisões pacíficas não são tomadas? O mundo inteiro está contra Israel neste momento, mas até que ponto as decisões de Israel são meras defesas do próprio direito e ataque aos de terceiros?

Esta minha interpretação parte do ponto de vista de que os únicos inocentes da situação são os cidadãos da Faixa de Gaza e de Israel, mas que somente os da Faixa de Gaza geram comoção por causa das mortes de inocentes. Acontece que, assim como o exemplo que dei acima, Israel poderia ficar somente dentro de sua “própria casa” esperando ser atacado, ou partir pra cima daqueles a quem eles tem como inimigos. A diferença de poder gritante, porém, não é necessária para se defender ou ganhar uma guerra, vide ai a derrota da Alemanha na 2ª Guerra Mundial, dos EUA no Vietnam na Guerra Fria e da Rússia na guerra entre eles e os japoneses.

Israel recebe ataques todos os dias de mísseis lançados pelo Hamas, mas não sofrem nenhum tipo de baixa ou destruição graças a seu escudo antimísseis chamado “Cúpula de Ferro”, desenvolvido pela indústria de armas israelense e que necessita de enviar 2 projéteis de $50.000,00 cada, para cada míssil enviado contra Israel. Neste ponto, quem sai ganhando é a indústria de armas israelense que precisa trabalhar a todo o vapor para desenvolver defesas ainda mais eficientes e, agora, ataques ainda mais precisos.

Acontece que, a região que está sendo atacada, nada mais é do que uma das regiões mais povoadas do planeta em termos de metro quadrado. Isso significa que, mesmo que ela esteja rodeada de pessoas inocentes e grupos interessados em atacar Israel, a possibilidade de um contragolpe de Israel atingir civis inocentes é quase que total. Isto acarreta a Israel uma tarefa de desenvolver uma grande defesa, mas que, tendo em vista o Direito Internacional e Direitos Humanos, também a “obrigação” de não retaliar, considerando que isso ameaçaria a vida de pessoas inocentes. Quando, porém, é o limite entre receber tapas e não retribuir em uma lei que ainda considera o “olho por olho e dente por dente”?

Israel vive pressionado entre o Direito do não dever e o Direito de se defender e retaliar contra um inimigo que é representado por pequenos grupos que atuam contra aquele Estado. E então, o que fazer no lugar de Israel? Atacar ou não atacar? Eis a questão.

Levando-se em conta que Israel possui um governo radical e que quer defender suas posses de qualquer maneira, garantindo a segurança e o bem estar de “sua família” e que o adversário não possui uma centralidade, é dividido e integrado por grupos que não aceitam, de maneira pacífica, a sua estadia naquele local, como então resolver esta questão?

Para muitos é simples, afinal, devolve “a praia conquistada” ao espaço a que era destinada, se resolve com a população local, desenvolve uma vida para eles ali e, pronto, estará tudo resolvido. Por que então isso não aconteceu agora?

Tenho meus palpites, que vão além da simples economia e política. A disputa territorial naquela região ultrapassa as barreiras físicas e embarca na questão ideológica. Palestinos e judeus são presos a questão territorial e ambos desejam quase a mesma parcela local. A menos que eles encontrassem uma maneira de conviverem pacificamente (o que seria muito difícil nos moldes atuais), somente ceder território aos palestinos não resolveria a questão da palestina, tendo em vista que este conflito, como minha concepção interpreta, é muito maior do que meramente político, econômico ou físico.

O poder econômico e político, que não é bobo nem nada, sabe muito bem disso e se aproveita para jogar palestinos e judeus uns contra os outros. É possível encontrar nas histórias da Torah ou do Alcorão passagens que irão dividir aqueles povos; e usar isso contra eles é, justamente, o que atende aos interesses de grupos como o Hamas e os políticos radicais de Israel. Nesta história não existem santos, sejam eles israelenses ou palestinos, todos são culpados pelo o que acontece na região; e se trata muito mais de uma questão de ego e falta de humildade do que política e econômica, afinal, ninguém quer ceder nada para o outro e a convivência pacífica em um mesmo território está fora de cogitação por ambos.

A história nos demonstra que árabes e judeus já viveram muitas vezes pacificamente, porém o que acontece hoje nada mais é do que utilizar a própria crença religiosa deles contra eles mesmos e não a história. Enquanto as mídias tomam seus partidos, do lado dos palestinos ou judeus, pessoas inocentes morrem na Faixa de Gaza e somente Israel é o culpado, sem se lembrarem que, não fosse a defesa aérea e territorial israelense, eles já teriam sido riscados do mapa por parte da “população local” (grupos que não desejam a existência Israel). Israel se defende de um inimigo perigoso pois luta não contra um Estado em específico, mas contra grupos locais. E os palestinos lutam com um grupo mais perigoso ainda pois não possuem defesa e não lutam contra um grupo, mas contra um Estado.

Neste ponto, acaba que toda a responsabilidade recai sobre Israel tendo em vista o seu poder, influência e riqueza. Porém, o quanto é dito sobre os palestinos que não desejam acordo pacífico com Israel? E as centenas de mísseis que são lançados contra Israel? Pode a arrogância nacionalista israelense ser culpada pela morte de todos estes inocentes ou o conflito é muito mais abrangente que isto?

Pessoas inocentes não devem morrer em lugar nenhum, nem mesmo as não inocentes. Pessoas não devem morrer, esta é a questão, não importa se sejam elas judias, negras, brancas ou palestinas. Se algum cidadão judeu morresse por um míssil lançado da Faixa de Gaza, ele não seria um culpado morto em conflito, mas seria mais um inocente, mais uma pessoa morte. A questão da culpa de Israel porém é tomada, unicamente, porque estes se defendem contra um inimigo que não é um Estado e, mais que isso, que não representa um todo da sociedade palestina. Mas e então, o que fazer contra um inimigo que se mistura à população entre crianças, mulheres e jovens? Como identificar um inimigo que possui a mesma fisionomia e mora no mesmo local dos inocentes? Infelizmente, não há como.

As escolhas, embora arrogantes – do outro lado também – são poucas. De um ponto de vista somente de Defesa, o Estado israelense poderia somente manter-se defendendo eternamente ou atacar o inimigo para desmantelar as suas forças.

Ainda assim, seja o ataque por parte de Israel ou dos grupos rebeldes palestinos, nenhum deles age de uma maneira sensata a resolução do conflito. Como disse acima, estes dois grupos – o governo israelense e os grupos rebeldes palestinos – aproveitam-se da revolta do povo e da fragilidade da região para ampliarem seus poderes e aumentarem o conflito no local, usando as crenças ideológicas e religiosas para jogar uns contra os outros e trazerem mais pessoas à causa – mas só Israel sai como culpado. E assim, entram-se anos e passam-se anos e a região continua sendo uma das mais conflituosas do mundo. Em Israel a população acorda com sirenes e correndo para abrigos antibombas enquanto que na Faixa de Gaza elas acordam, literalmente, com explosões de bombas na sua própria casa.

Tudo isto, nada mais é do que um reflexo do próprio egoísmo humano, seja ele por parte dos israelenses, que não aceitam negociar com grupos como o Hamas e não cedem às exigências palestinas, e dos próprios palestinos, principalmente os mais radicais, que não aceitam a presença de Israel na região e apelam para o uso da força, o que fortalece ainda mais os israelense e distancia ainda mais uma resolução pacífica para a região.

Observando de uma forma puramente idealista, o conflito naquela região jamais se resolverá cedendo ou não cedendo território, os cidadãos locais precisariam reconhecer que eles têm que conviver em harmonia uns com os outros – sim, é idealista. De uma análise mais prática, a comunidade internacional teria que ser mais enérgica contra Israel e, também, contra os palestinos. Devolver os territórios tomados por Israel, criar o Estado da Palestina, criar um acordo internacional de não agressão entre eles, tornar Jerusalém uma capital comum entre Israel e a Palestina, fazer com que a Palestina criasse leis duras contra grupos radicais e terroristas e, por fim, ajudar no desenvolvimento daquele país.

O problema todo é que, ao contrário da estória que inventei acima, o Direito Internacional não possui uma entidade máxima que faça valer a sua força e sua intenção. Por mais que todos os Estados do mundo acordem sobre os problemas na região – o que é quase impossível –, para que o Direito Internacional possa valer, é necessário que exista o Estado da Palestina e que Israel aceite a interferência externa em seus assuntos pessoais.

Este é um problema complexo e que não pretendo resolvê-lo com esta postagem, mas que, justamente, gostaria de apresentar uma ideia de que, tanto Israel quanto os grupos rebeldes são culpados e não somente os israelenses como se apregoa pela mídia. 

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